O Carnaval em Coruche


O Carnaval surge no calendário como a festa que marca a transição do inverno para a primavera. É uma festa móvel, determinada pela Lua, tradicionalmente associada a cultos da vegetação, cujos rituais visavam a fertilidade, num período de grande inconstância climatérica e de incertezas quanto ao resultado das sementeiras.

Em Coruche eram muitas as manifestações rituais com que se celebrava o Carnaval. De acordo com os inúmeros testemunhos, esta época constituía um momento de exceção no dia a dia da comunidade, permitindo comportamentos de proximidade e convivialidade. Caracterizava-se sobretudo por tempos de excesso e de sátira, vividos por todo o concelho com as “caqueiradas”, o “jogo da panela”, as “comadres” e os “compadres”, o “jogo do enganchar” e o “enterro do galo”. Ritos carnavalescos baseados no barulho, sujidade, divertimento e afronta, que configuravam em si uma natureza de purificação e expulsão das forças “malignas” do inverno.

Nos dias de Carnaval, de domingo a terça-feira, havia o que se designava de “rusgas”, grupos de pessoas mascaradas que se agrupavam e percorriam as ruas brincando e fazendo imenso ruído. Entretanto eram organizados bailes por todo o lado, tanto na rua como nos terreiros, ou em casas particulares, ou ainda em salões de baile.

Ajude-nos a identificar as pessoas presente nesta foto, publicada no catálogo da exposição  "Coruche: O Céu, a Terra e os Homens", p. 178.


As cheias em Coruche


O ciclo das cheias acompanha toda a história de Coruche, situação recorrente que faz parte da vivência local e que, simultaneamente, contribui para a fertilidade dos solos e riqueza agrícola, tornando estes terrenos dos mais férteis do país.

A propósito das mesmas, partilhamos alguns documentos na página do Facebook, entre eles uma informação publicada no Diário do Governo, de 4 de fevereiro de 1823, aquando de uma enorme cheia com estragos incalculáveis na região da lezíria ribatejana.

“Trinta e quatro dias de copiozas, e não interrompidas chuvas, a par de ventos tempestuosos, trouxe á Ribeira de Coruche, e ao Téjo, uma cheia tão grande, de cuja igual não ha memoria. […] e vasta Ribeira de Coruche, onde as sementeiras são quasi todas temporãs, o que monta a muitos centos de moios de trigo, e cevada, muitos gados afogados; muitas Mottas, Arribanas, Abegoarias, Palheiros, Apurages, e mais trem de Lavoura, tudo destruido, vindo pelo Téjo abaixo […]”. In Diário do Governo, Terça-Feira, 04/02/1823.




N.º 2, no barco: Hermínio Ramusga

 

 

 

Atualizado em 16-02-2021