Fundo Fotocine


Em 2005 foi incorporado no acervo do Museu Municipal de Coruche, por vontade expressa do seu último proprietário, Carlos Silva, um valioso património, proveniente do estúdio fotográfico Foto Cine, que exercia a sua atividade no Centro Histórico da vila de Coruche desde 1953 e que, depois de um longo percurso, fechou portas definitivamente no final de 2012.


Ao incorporar esta coleção o Museu comprometeu-se a transformar este espólio em fontes históricas e documentais, empenhando-se na sua salvaguarda, conservação, organização, acondicionamento, investigação, realização de estudos, divulgação, disseminação da informação recolhida, tornando-o disponível através de base de dados, exposições, monografias, ações educativas, entre outros mecanismos, salvaguardando sempre a sua origem.

Resultante do olhar de três fotógrafos da mesma família que, ao longo de seis décadas, se dedicaram à fixação dos retratos desta comunidade, este espólio documenta a vida urbana e rural durante a segunda metade do século XX em Coruche, desde a fotografia “tipo passe” à reportagem da vida cultural, social e política, acontecimentos que testemunham o quotidiano das gentes de Coruche.

A acompanhar os documentos foi agregado ainda um vasto conjunto de máquinas fotográficas, equipamento de estúdio e material de laboratório, assim como um livro de registo.

Desde que deu entrada no MMC a coleção fotográfica foi objeto de organização, limpeza sumária das caixas e avaliação do estado geral.
É composta por mais de 210 000 negativos em acetato de celulose, preto e branco e cor; e algumas provas em papel de revelação baritado, especialmente das reportagens de casamentos.

O estado de conservação geral foi considerado razoável, apesar de um intenso cheiro a vinagre nos espécimes negativos a preto e branco, o que denunciava o início da sua degradação, a chamada “síndrome do vinagre”.
A reavaliação do estado de conservação, feita periodicamente por amostragem, permitiu concluir que a deterioração dos suportes continuava a avançar. Isto fez com que se tornasse prioritária a intervenção urgente com o objetivo da sua conservação e preservação.

A candidatura a um programa de apoio financeiro permitiu ao MMC desencadear um processo de limpeza, inventariação sumária e instalação no frio de toda a coleção e iniciar a sua digitalização, naturalmente pela reportagem.
No presente, mais de 210 000 negativos estão sumariamente inventariados, congelados, garantindo a sua conservação a longo prazo, e, destes, 10 090 estão digitalizados, descritos e pesquisáveis através de base de dados, logo, acessíveis ao público. 

 

 

 

Atualizado em 30-04-2020